–> Balanço do Balanço e avaliação do Plano de Metas

Ocorreu em São Paulo, hoje, uma reunião/encontro organizado pela Rede Nossa São Paulo, para fazer balanço e avaliação do Plano de Metas da cidade de São Paulo. Para quem não sabe o que é isso, vale dar uma olhada aqui: Plano de Metas para a cidade de São Paulo

Enquanto estava no encontro, pensei em um milhão de coisas para escrever… Suponho que se fosse colocar tudo no papel escreveria um livro… Mas, como quase sempre acontece comigo, na hora de escrever de verdade, muita coisa se perde, muitos detalhes e sacadas que tive, eu acabo esquecendo e o que era para ser um livro, se torna um simples post de blog. Ou seja, o que vão ler a seguir é somente o que mais se sobressaiu desse encontro, o que mais me marcou, o que acho que não pode deixar de ser dito/lido/escrito.

Para começar, preciso dizer que somente 4 candidatos à prefeitura estavam presentes: Carlos Giannazi (PSOL), Fernando Haddad (PT), Soninha Francine (PPS) e Gabriel Chalita (PMDB). Absurdo, não é mesmo? Onde estavam Serra (PSDB), Netinho (PCdoB), Russomano (PRB)? Será sua ausência causada pela evidência nas primeiras pesquisas? Aliás, faça-se a justiça. José Serra não foi, mas mandou Walter Feldman para lhe representar. Vejam só, caros leitores, sobretudo os paulistanos, como, no fundo, ele deixa bem claro qual é o seu verdadeiro compromisso com a cidade: desde já, abdica de suas responsabilidades e envia seus representantes. Ausente também estava o atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD), que, ironicamente, dava entrevista coletiva sobre o tema que era discutido simultaneamente no encontro, para o qual ignorou o convite.

Depois do corre-corre de (quase) sempre, cheguei com uma amiga ao local do evento com vinte minutos de antecedência. Por volta das 10h, horário marcado para o início, somente Giannazi já estava lá. Com a chegada de uma outra amiga, adentramos ao teatro, onde esperamos por mais meia hora para que o encontro começasse com vinte minutos de atraso. Mais dez minutos depois chegava a candidata Soninha Francine, que eu imagino deve ter se atrasado porque o metrô de São Paulo “tá sussa”, não é mesmo? Ela deve ter confiado nisso, saído em cima da hora e sido surpreendida pelas verdadeiras condições do transporte coletivo… Daí o atraso… Ou é puro descaso mesmo.

Após a apresentação do plano, com comentários acerca das metas atingidas (ou, na maioria das vezes, não) foi a vez dos candidatos falarem em dois momentos. Por ordem de sorteio, falaram: Giannazi, Haddad, Soninha e Chalita. A ordem foi invertida na segunda intervenção. Já peço desculpas pela extensão do texto, mas acho fundamental fazer um breve resumo das falas de cada um.

Giannazi apontou uma crise na cidade de São Paulo, haja vista que temos uma gestão falha, incapaz de cumprir mais do que 37% das metas que ela mesma estabeleceu. Falou também que o orçamento da cidade é alvo de disputa entre os setores econômicos e sociais, defendendo que o problema de São Paulo não é falta de dinheiro, mas sua má aplicação. Ainda nesse sentido, disse que o compromisso da maioria dos partidos com determinados setores econômicos pode levar ao não cumprimento das metas estabelecidas (momento para aplausos). Por fim, ressalto de sua primeira intervenção a defesa de um “choque de gestão democrática na cidade”, através da realização de eleições diretas para subprefeitos, por exemplo.

Haddad iniciou sua fala tratando de projetos implantados por ele enquanto ministro da educação, sobretudo o Plano de metas educacional que visaria não somente a quantidade, mas também a qualidade. Impossível não pensar na atual situação das universidades federais, não é mesmo? 56 das 59 estão em greve, mais próxima a mim está a Federal de Guarulhos, na qual os alunos não têm espaço adequado nem para estudar, muito menos para comer ou morar. Baita qualidade, não?! Mas enfim… Ele falou também do vazio que é falar em porcentagem de metas cumpridas ou não cumpridas, uma vez que a prioridade das metas é diferente sob o ponto de vista do governo e dos munícipes. Assim, defendeu que, se eleito, a hierarquização para o cumprimento das metas seria feita pelos próprios cidadãos, de modo que, não sendo possível cumprir todas, aquelas consideradas prioritárias por estes teriam também prioridade para o governo.

Soninha, vejam bem… Muito difícil pensar no que ela disse de importante. Sua imaturidade é tanta que fica muito difícil distinguir o que ela fala a sério, o que é piada, o que não faz o menor sentido. Enfim, bateu bastante na tecla da moradia. Tratou da questão dos albergues e de como sua estrutura atual afasta os moradores de rua ao invés de cativá-los. Falou também dos problemas com os ruídos da cidade, dos problemas de não cumprimento à lei do PSIU. Outro assunto tratado por ela foi a insuficiência de agentes da CET. Mas o ápice foi se referir a regiões mais afastadas do centro como “terra sem lei”!

Por fim, chegou a vez de Chalita, poeta, pastor. Retomou a fala de Giannazi para destacar que as metas discutidas ali foram criadas pelo próprio governo eleito o que agrava ainda mais o seu não cumprimento. Propôs a administração das 31 subprefeituras como se fossem 31 cidades, ou seja, não é porque 1 subprefeitura possui uma área de lazer que demais subprefeituras próximas a ela não devam ter uma cada uma também. Daí para frente, ele só fez jus à fama de poeta. [1]

No segundo momento de fala, Chalita continuou a desfilar suas frases de efeito, quase tocantes. Como proposta tratou do enxugamento da máquina municipal, reduzindo, por exemplo, a quantidade de secretarias e cargos mais próximos a prefeito. Ao passo que defendeu a ampliação da máquina das subprefeituras. Falou sobre um projeto interrompido pela atual gestão da construção de cerca de 30 teatros na área central de São Paulo. E eu me pergunto: na área central? E fora dela? Cadê os teatros na ZL???

Soninha é muito difícil mesmo, gente… A única anotação que consegui fazer foi: “Desce mais uma aí, chefia.” Ela acha que está 24 horas por dia, 7 dias por semana numa conversa de bar com a galére!

Haddad retomou a questão lançada por Soninha acerca do problema de a grande maioria da população morar a muitos quilômetros de seu local de trabalho. Como proposta apresentou a implementação do IPTU progressivo como forma de punir o especulador imobiliário. Também levantou a questão da implantação da Universidade Federal da Zona Leste (enquanto isso, 56 federais em greve…) e da maior quantidade de matrículas na escola em tempo integral.

Por último, Giannazi tratou da saúde, apontando o processo de terceirização do serviço público como um dos principais responsáveis pelo caos que é o SUS, como o sucateamento dos hospitais. Deu como exemplo o Hospital do Servidor Público, e eu só podia lembrar da Raissa, que a esse momento já havia saído. Sobre transporte, defendeu que o principal modal a receber investimento deve ser o transporte sobre trilhos, aliado a investimentos em corredores, ciclovias, etc. Por fim, retornou ao tema da Educação, defendendo a implantação de um projeto político-pedagógico libertário e libertador!

O balanço que eu faço de tudo isso parte do princípio de que o simples estabelecimento de metas não adianta de nada. É preciso muito mais do que isso para resolver os problemas crônicos e caóticos de São Paulo. O descaso da quase totalidade dos candidatos à prefeitura para com os seus eleitores é gritante! Menos da metade dos candidatos compareceu, 75% dos que compareceram chegaram atrasados ao evento. Da mesma forma, o pequeno auditório não estar lotado mostra que, talvez, eu esteja certa, pelo menos em certo ponto, quanto ao que escrevi num post anterior [2]. Acho estranho que as pessoas não tenham interesse em ouvir as pessoas que se candidatam a gerir sua cidade pelos próximos quatro anos.

Sobre os candidatos: Haddad é sem sal, sem açúcar, sem tempero, sem graça, sem nada! A única coisa que tem é uma aliança com Maluf, espúria, escusa, nojenta, absurda! Soninha é imatura e desrespeitosa; ficou grande parte do encontro falando muuuito no twitter, enquanto os colegas de mesa falavam. Ainda pretendo escrever um texto sobre ela e sobre o que eu penso de sua candidatura, mas, por enquanto, digo apenas que ela só serve para líder de conversa de boteco! Chalita me assusta. Até seu tom de voz, as pausas dramáticas que faz em sua fala, a forma como gesticula; tudo me faz lembrar um pastor. Por vezes tive vontade inconsciente e por inércia de dizer “amém” aos finais de sua fala. Giannazi tem propostas e posições claras, as quais muito me agradam, sobretudo aquelas relacionadas à Educação (“projeto político-pedagógico libertário e libertador”!!!!!!), embora, infelizmente, ainda tenha pouca expressão em São Paulo; essa cidade do cão.

Finalizo apenas deixando claro o quanto a USP ainda forma a elite intelectual e política da cidade, do estado e, por que não, do país?! Serra é da Poli; Haddad mescla SanFran e FFLCH (Filosofia); Chalita é da FFLCH, também da Filosofia; Giannazi é da História e da Educação, Soninha é da ECA. Estaria eu estudando com algum futuro prefeito?

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4 respostas para –> Balanço do Balanço e avaliação do Plano de Metas

  1. Pedro Destro disse:

    Walter Feldman não disse nada?

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