–> Contra a campanha do voto nulo

“tal esvaziamento deliberado do campo político é feito para nos resignarmos ao pior, ou seja, para nos resignarmos a um modelo de vida social que há muito deveria ter sido ultrapassado e que evidencia sinais de profundo esgotamento.”

Vladimir Safatle, A esquerda que não teme dizer seu nome

A postagem de hoje quebra o silêncio de quase dois meses do blog causado pela insanidade desta que vos escreve de cursar 7 matérias num mesmo semestre. Não cabe nenhuma explicação sobre isso agora, mas preciso dizer que a desatualização do blog não é, de modo algum, causada pela falta de assuntos, afinal, estamos em época de eleições, não é mesmo? Teria muito a dizer acerca dos candidatos mimimi de São Paulo, do meu completo encantamento por Marcelo Freixo, da tristeza ao olhar as pesquisas para São Paulo, do desgosto com o que ouço por aí nos ônibus e nas ruas, do desespero de ver um candidato mais que imbecil ter a grande chance de ser prefeito da maior cidade da América Latina. Numa fuga dos estudos, por saber que tratar do assunto desse post é mais do que necessário, é urgente, resolvi falar um pouco sobre as tais campanhas pelo voto nulo que pululam por aí.

Inicio ponderando que reconheço que muitas pessoas que votam nulo o fazem por crenças políticas embasadas e, embora não concorde com elas, consigo entendê-las e aceitá-las. O que me incomoda sobremaneira é ver inúmeras pessoas que só lembram da política quando o Jornal Nacional toca no assunto ou a cada dois anos, em períodos como o que vivemos agora, fiquem por aí compartilhando as tais fotos no facebook dizendo que o que temos de fazer é votar nulo. Isso eu não aceito.

Se há alguma justificativa aceitável para o voto nulo, esta com certeza não é a preguiça política. É muito fácil de dois em dois anos dizer que todos os candidatos são iguais, que vota nulo porque o voto no Brasil é obrigatório, que nenhum candidato o representa. Difícil é criar vergonha na cara para exercer seu verdadeiro direito de cidadão e pesquisar, estudar, conhecer todos os candidatos, antes de repetir o que aqueles que gostam de atuar na política da forma mais escusa e suja enfiam (ou tentam enfiar) em nossas cabeças. Também é difícil parar para pensar e analisar nossa lei eleitoral para perceber que, ainda que a tão improvável maioria de votos nulos se realizasse, voto nulo não faz revolução. Basta ser um pouquinho inteligente para notar que, ao serem convocadas novas eleições, os candidatos seriam representantes dos mesmos partidos e, consequentemente, dos mesmos interesses, sejam eles quais forem. Qual a grande vantagem? Nenhuma para pessoas que de fato querem mudar as coisas, toda para quem quer tudo continue como está ou piore ainda mais.

Em uma das sete aulas dessa semana que passou, estudando as eleições durante o período ditatorial, chegou-se à conclusão de que a omissão da oposição apenas a prejudicou, garantindo à situação a continuidade do exercício de sua política, do mesmo jeito de sempre. Ou seja, se você de fato quer mudar alguma coisa, não vote nulo! Pesquise, estude e vote. Em vez de desligar a tevê durante o horário eleitoral e ligar na hora da novela, assista ao horário eleitoral, assista aos debates, leia sobre os candidatos. Veja o que cada um dos candidatos já fez, em exercício de mandato ou não. Não dá tanto trabalho e faz parte da sua obrigação e seu compromisso consigo mesmo. Eu já tenho candidatos, e você? Dia 07 de outubro é dia de tentar mudar as coisas deixando votos válidos na urna eletrônica.

Como já disse Platão: “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles gostam.” Por isso, reitero o que disse, usando as palavras de Frei Betto: “Quem tem nojo da política é governado por quem não tem. Tudo que os maus políticos querem é que a gente tenha bastante nojo para eles ficarem à vontade com a rapadura na mão. Ou seja, se não estamos satisfeitos com a política, temos a obrigação cidadã de participar”[1]. Omissão não faz revolução, eleição também não; mas esta está bem mais próxima daquela do que a abstenção. Omissão não muda nada, eleição sim.

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Uma resposta para –> Contra a campanha do voto nulo

  1. Penha Lima disse:

    muito bem, passou o primeiro turno e agora…. o que nos resta…..

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