–> Inimigo nº 1

“…também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer.”

Walter Benjamin, Sobre o conceito da História

O que venho fazer aqui é, na verdade, desmascarar o grande porta-voz de todo o conservadorismo preconceituoso que há algum tempo vem tomando conta da mídia em suas mais diversas vertentes: tevê, jornal, livro. Venho falar-lhes acerca de Luiz Felipe Pondé, o filhote da ala abominável do Departamento de Filosofia da USP. Ignorá-lo é um erro, visto que fala para e por muitos que há tempos aguardavam alguém que desse vazão aos sentimentos e pensamentos mais desprezíveis que possuem entranhados e que não tinham espaço para se manifestarem publicamente. Pois bem, a esquerda perdeu sua hegemonia cultural há tempos garantida e o tempo do politicamente incorreto chegou, está por todos os lados. Hoje acho que ninguém melhor do que Pondé para falar por todos eles.

Assim, a inspiração desta postagem veio após essa que vos fala comparecer ao infeliz debate que reuniu Pondé e Leandro Narloch para o lançamento (?) dos seus guias politicamente incorretos. É de se imaginar que uma historiadora em formação se sentisse mais à vontade para tratar do segundo rapaz, aquele que deturpou fontes e historiografia para fazer os tais guias que de históricos não têm nada. Acerca dele prefiro me calar, pois o tal debate me serviu para duas coisas e uma delas foi constatar que este não passa de um tremendo babaca; é imaturo, infantil, irrelevante (embora sua obra não o seja e talvez eu a discuta num outro post).

A segunda coisa que me acrescentou esse debate foi enxergar claramente as brechas que escapam à oratória e articulação fabulosas de Pondé. É certo que, infelizmente, tais brechas não são percebidas para os mais desatentos, mas são notórias quando prestamos um pouco mais de atenção. Por isso, a seguir, tratarei de algumas delas.

 “É da natureza humana ser preconceituoso.” – Não, meu (não) caro Pondé. Ninguém nasce preconceituoso. Preconceitos são fruto de construções sociais, discursos ideológicos, pregações discriminatórias.

 “A miséria sempre esteve na ordem do dia ao longo de toda a História. A sociedade de mercado é a que melhor proporciona ao indivíduo a chance de ascender socialmente.” – Pondé trata a sociedade de mercado como se esta tivesse sido escolhida a partir de um menu, sendo acordado por todos que seria a melhor opção. Parece que não sabe (e eu digo que só parece) que os longos processos que levam às transformações sociais se desenrolam, ainda que embasados teoricamente, num contínuo incerto, sendo, portanto, impossível prever no que resultarão. Sem contar que, somente de um ponto de vista elitista como o dele, é possível considerar que a sociedade de mercado favorece às classes baixas. O que ocorre, na verdade, é a reprodução da miséria dessas mesmas classes baixas pela própria sociedade de mercado.

 “Eu não sou hipócrita, pois digo tudo o que penso.” – Como se hipocrisia também não consistisse em agir de forma diversa daquilo que diz. Diz que temos que lutar contra os preconceitos, mas escreve um livro cujo um dos capítulos intitula-se “Mulher gosta é de dinheiro”; escreve artigos para jornal que dizem que mulher gosta de apanhar e que o problema dos aeroportos é que agora pobre viaja de avião. Quando questionado, gagueja e diz que não quer que o mundo continue como está, mas acha que a sociedade de mercado é boa.

 “Vivemos em um país socialista há 10 anos.” – Preciso explicar?

 “Sou um intelectual que fala para fora da academia.” – Cita inúmeros filósofos e teóricos que quase ninguém conhece.

 “Os intelectuais de esquerda aparam arestas de modo que seus alunos não conheçam estudos que contestam as teorias que defendem.” – Com o mesmo procedimento de Narloch, ignora fontes e teóricos que não lhe servem ao argumento.

 “Fiz pós-graduação na Universidade de Tel-Aviv.” – Generaliza ao argumentar.

 “Não sou como criança mimada que emburra quando a contrariam.” – Xinga de boçal toda e qualquer pessoa que conteste o status quo e almeje transformar, reformar, revolucionar ou apenas fazer pequenas mudanças na sociedade.

 Esses são alguns exemplos do quanto podemos debater com Pondé. Reitero a importância de fazermos isso. Se Narloch é um boboca, Pondé é um problema, que como uma avalanche tende a crescer paulatinamente para nos atropelar de repente. A direita esperou décadas para manifestar-se abertamente, influenciando corpos e mentes; agora, a hora e o espaço dela chegaram. Cabe a nós digladiarmo-nos como pudermos contra eles. Do contrário, Walter Benjamin fará um sentido incômodo e, talvez, intransponível.

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