–> Deus só dá o frio e blá blá blá

Nasci. Em uma família (= mãe e pai), à priori, não praticante. Estudei em colégio católico. Frequentei  durante uns 6 ou 7 anos, umas 3 ou 4 igrejas evangélicas. Nunca fui, de fato e por vontade própria, praticante de nada. Não fiz primeira comunhão ou crisma e, por isso, fui levemente marginalizada pelas doces freiras da escola. Nada que me traumatizasse. Acho que desde sempre fui agnóstica sem nem saber o que isso significava. Entrei na faculdade, ainda agnóstica. Tornei-me marxista.

Tornei-me marxista demais para me preocupar com o que vem depois dessa vida. Tanto problema no mundo e o povo preocupado com a vida após a morte… Sabe-se lá se esse negócio existe mesmo… E com a vida antes da morte? Deixa pra lá é? Eu, hein!

Conversar com as pessoas rende mesmo boas ideias, boas sacadas… Essa postagem, por exemplo, foi inspirada por uma conversa hoje no trabalho. Ao vermos a tal lista da Forbes, dos 5 pastores mais ricos do Brasil e nos depararmos com o gigantesco patrimônio pessoal dos tais agraciados, desses “portadores da palavra do senhor”, meu supervisor me disse: isso é coisa de pouca fé. Se os crentes tivessem fé de verdade, eram todos mendigos. Eu concordei; afinal, pelo que me lembro, em algum lugar na Bíblia tá escrito que rico não entra no Reino dos Céus. Ou seja, os tais missionários, apóstolos e afins vão tudo pro diabo que os carregue.

Certa vez, durante uma aula sobre música popular (pois é, professores marxistas em todos os lugares), Walter Garcia disse algo como: justificar as desigualdades terrenas com a promessa do pós-vida é uma balela; pois, uma desigualdade na Terra pode até ser recompensada no céu, mas sempre será uma desigualdade na Terra. Conclusão que, de tão brilhante, passou a fazer parte do meu vocabulário. Isso mesmo; saio por aí citando o Walter quando surge esse papinho de “bem aventurados os pobres de espírito, pois dele é o reino dos céus”…

E convenhamos, o ditado que inspira o título desse texto está entre as maiores bobagens que já se disse ou propagou por aí. “Deus só dá o frio conforme o cobertor.” Ah, vá. Eu nunca soube de gente que dorme entre finos lençóis de algodão egípcio e edredons de penas de ganso passar mais frio que moradores de rua espremidos, quando muito, entre folhas de jornal e mantas finas. Também nunca soube de nenhum representante do primeiro grupo morrer congelado quando o frio castiga; já do segundo…

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Uma resposta para –> Deus só dá o frio e blá blá blá

  1. Marcia disse:

    Concordo plenamente! Conversinha pra encher mais os bolsos dos safados dos Reinos de Deus, Jesus, santos e afins!
    Bj bj querida,

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