–> Todo carnaval tem seu fim – III – Estação Primeira de Mangueira

Como já é bem sabido por todos (eu acho), quem vos fala aqui é um coração mangueirense… Não vou repetir para não ficar chato…. Quem quiser saber melhor é só dar uma olhada nesse texto aqui. Nesse caso, não estou muito preocupada com a imparcialidade, embora também faça algumas críticas a minha escola do coração (o que também pode ser conferido no texto que indiquei acima).

Mas é impossível comentar o Carnaval 2013 sem passar por mais uma inovação mangueirense. Duas baterias na avenida. Isso mesmo, duas baterias na avenida! “É Surdo Um em dose dupla, mané!” Acho que a referência a essa maluquice sensata de Ivo Meirelles é merecida muito mais por não ser um raio em céu azul, mas sim uma marca nos desfiles da escola após sua chegada à presidência. Não se enganem, tenho centenas de críticas ao Ivo, mas não posso deixar de dizer que muitas coisas que ele fez me agradam demais.

Quem precisa de título quando se tem a Surdo Um?!

Quem precisa de título quando se tem a Surdo Um?!

A primeira dela foi trazer para a avenida enredos relacionados à escola. Em 2010, “Mangueira é música do Brasil”, assim como “a voz do samba é verde e rosa”, nem cabe explicação. Tá na cara a relação do tema com a Estação Primeira. Em 2011, uma linda homenagem ao centenário de Nelson Cavaquinho. Em 2012, a lembrança dos cinquenta anos do bloco Cacique de Ramos. E em 2013 uma grande pisada na bola, a perda do centenário de Jamelão.

Mas, seguindo. Ivo é músico e tem experiência na bateria da escola; talvez aí esteja a tranquilidade com que pensa, todos os anos, em algo novo. Todo ano a Surdo Um é protagonista de espetáculo na Marquês de Sapucaí. Em 2010 e 2011 veio com coreografias complexas quando se está tocando percussão e embalando a “escola de samba mais querida do planeta”. Paradinhas longas, mas dentro do normal. Em 2012, meu amigo, a maior parada da história… Acho que por volta dos 3 minutos ou algo parecido. Confesso que jamais cronometrei essa duração. Não consigo, pois toda vez que vejo esse vídeo aqui, choro e me arrepio. Porque não basta parar a bateria, ainda se faz coreografia e se mostra a qualquer um, porque a Mangueira é a “escola de samba mais querida do Brasil”. Porque a Sapucaí não canta, grita o samba-enredo! E sem bateria se ouve melhor!

O fato é que, em tempos de carnaval mercantilizado e enredos patrocinados (inclusive o da Mangueira em 2013), título não traduz o que é ser a melhor escola, a mais bonita. Título traduz quem tem mais dinheiro. Por isso, pouco importa que a Mangueira esteja num jejum há 11 anos. Porque daqui algum tempo, poucos vão saber que em 2012 a campeã foi a Unidos da Tijuca, ou que em 2013 a Vila Isabel levou a melhor. Mas ninguém se esquecerá que foi a Estação Primeira de Mangueira – sob o legado de Cartola, Carlos Cachaça, Dona Zica, Nelson Sargento, Nelson Cavaquinho e tantos outros -, que fez a Sapucaí cantar emocionada, à capela ou ao som de duas baterias, sambas-enredos “não tão bons” (nas palavras de Teresa Cristina). Foi a Verde-e-Rosa quem optou atrasar seu desfile, já sabendo que iria perder pontos na apuração, para não estragar a evolução e a alegria de quem faz o Carnaval o ano inteiro.

PS.: Aliás, já passou da hora dos comentaristas da Globo entenderem que a Mangueira não precisa do melhor samba-enredo, pois seus melhores estão na arquibancada… Ela tem a melhor torcida!

Verde e rosa sagrado

Verde e rosa sagrado

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