–> 40 anos depois

Quem matou Alexandre Leme? O Estado brasileiro.

Quem matou Alexandre Leme? O Estado brasileiro.

Em 17 de março de 1973, Alexandre Vannucchi Leme era morto sob tortura no DOI-CODI paulista. Como de costume, seria a ele mesmo imputada a culpa pela sua morte: num atropelamento durante a fuga, cortando-se com uma lâmina em sua cela. O hábito de culpabilizar vítimas vem de longe no Brasil. Alexandre é e não é mais um. É mais uma das vítimas do regime militar brasileiro, mas ao tornar-se símbolo de uma luta coletiva pela redemocratização e contra a tortura, deixou de ser apenas mais um para entrar no rol de vítimas-mártir de um Estado assassino. Mais um cujo corpo foi enterrado numa vala rasa em Perus.

Pouco tempo após a sua morte, se iniciaria o processo de abertura e passos curtos, mas contínuos, foram dados em direção à redemocratização. Feita com cuidado, esta, por sua vez, garantiu que a verdade sobre as mortes de Alexandre, Vlado, Manuel Fiel Filho, Stuart Angel e tantos outros fosse posta num campo para além e ao mesmo tempo aquém da discussão nas bases jurídicas.

Os anos se passaram e fomos “brindados” com muitas meias-verdades, certa reparação e nenhuma justiça. Mas não esquecemos, por mais que nos forçassem a isso. Essa semana a família de Vlado recebeu um atestado de óbito oficial reconhecendo que o jornalista polonês foi morto sob tortura e não por meio de suicídio como foi amplamente divulgado à época. Em uma série de eventos que lembram a morte de Alexandre Vannucchi Leme, o Estado brasileiro reconheceu hoje, em um ato na USP, que Alexandre é um anistiado político.

Passaram-se 40 anos desde que um jovem foi morto cruelmente pelos agentes do Estado ligados à OBAN (Operação Bandeirante) quando então tinha apenas 22 anos e estava em seu quarto ano de faculdade. Quem o matou foi o Estado; sua morte não foi acidente, nem exceção. Sua morte foi mais uma consequência da sistematização da tortura. Em tempos nos quais respeitados pensadores escrevem descaradamente em jornais que é possível se relativizar a tortura, nunca é demais lembrar.

Há 40 anos, o Estado brasileiro assassinava um jovem. Isso jamais poderá ser esquecido.

Não esquecemos!

Não esquecemos!

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