–> Marcos Feliciano representa sim!

Desde que o não querido Deputado Marcos Feliciano assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) muitos protestos ocorreram pelo Brasil afora. Nas redes sociais, a campanha Marcos Feliciano não me representa reuniu gente de tudo quanto é credo e de várias posições políticas. Na minha página do Facebook, por exemplo, todo dia são dezenas de fotos de gente que Marcos Feliciano não representa: homens, mulheres, brancos, negros, jovens, velhos, ateus, cristãos, espíritas, umbandistas, homo ou héteros. Observando somente esses fatos, até parece que Marcos Feliciano está na presidência somente por maracutaias políticas. Sim, a tramoia política é grande responsável por ele ocupar o cargo, mas, infelizmente, não é o único motivo.

Engana-se quem pensa que Marcos Feliciano não representa. Há sim quem se sente contemplado com as ignorâncias e os preconceitos destilados pelo pastor antes e depois de assumir a presidência da comissão. Ou vocês duvidam que pelo menos parte daqueles 80% da população paulistana (ou paulista, não me lembro ao certo agora) que acha, em pleno século XXI, que somente gays pegam AIDS não compartilha da ideia de que homossexualidade precisa ser curada? Ou, talvez, aquele grupo que se reuniu no vão do MASP em um ato de apoio a Jair Bolsonaro? E aqueles jovens “esclarecidos” que saem por aí dizendo que homofobia não existe e gritam aos quatro ventos que o número de mortes de homossexuais é insignificante diante da enorme quantidade de héteros que morrem todos os dias? Ou aqueles que seriam divertidos se não estivessem ganhando bastante força e dizem por aí que já não se pode mais ser homem, branco e hétero nesse país? Ou os racistas de plantão, que gostam dos negros nas suas cozinhas, principalmente se tiverem alma de branco? E tantos outros que de uns tempos para cá perderam a vergonha de fazer discurso de ódio livremente, inclusive e principalmente na imprensa. Sem falar, obviamente, nas pessoas que o elegeram.

O processo que nos trouxe onde estamos não é recente. Mas o fato é que os resultados dele estão se multiplicando e manifestando rápido demais. No “humor”, o estímulo ao preconceito e à violência parecem não causar mais espanto; nos jornais de grande circulação, o machismo entrou na ordem do dia e se fala até em favor da tortura; nas redes sociais, o discurso de ódio circula livremente. A direita, como quase sempre, se apropriou de bandeira que nunca lhe foi cara para tentar justificar suas atitudes ardilosas e repressoras: de repente, em nome do que querem a todo custo chamar de liberdade de expressão resolveram defender que se pode dizer tudo.

Não, meus caros, não se pode dizer tudo. Liberdade de expressão não é poder dizer tudo. Preconceito não é liberdade de expressão; discurso de ódio não é liberdade de expressão. Lembram-se de que todos são iguais perante a lei? Pois bem. Não precisa ser muito revolucionário para concordar com isso. É papel do Estado zelar pelos direitos – que são iguais – de todos os seus cidadãos que, finalmente, somos todos.  Por isso, não aceitamos Marcos Feliciano; pois ele não só não representa a mim e a todos aqueles que publicaram: “Marcos Feliciano não me representa”, como não representa a Constituição desse país. E isso não é passível de discussão.

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