–> “No” (2012)

Eu não sou especialista em cinema nem em crítica cinematográfica. Também não sou a maior conhecedora dos aspectos formais, dos termos técnicos e afins. Mas há algum tempo, quase dois anos, tenho me interessado cada vez mais pela sétima arte e passei a olhar os filmes sob um outro ponto de vista. Não que eles até então fossem apenas entretenimento, já os considerava muito mais poderosos e potentes do que isso, mas somente de uns tempos para cá comecei a amadurecer meu olhar para o Cinema e passei a enxergá-lo através de um prisma diferente.

A faculdade colaborou muito para isso, pois tem sido palco de discussões amplas e mais complexas acerca da importância do Cinema para a construção e difusão de determinados discursos e da sua relação com História. Nesse ínterim, compreendi que toda análise fílmica deve contemplar a análise de sua forma, pois esta é fundamental para a apreensão de seu conteúdo. Aos poucos estou tentando trabalhar meu lado historiadora-que-analisa-filmes e desde que tomei essa decisão todos os filmes que assisto passam por uma análise subjetiva e quase inconsciente. Em virtude disso, teria um monte de coisa para escrever aqui sobre diversos filmes que assisti recentemente e, talvez, um dia eu consiga, mas como isso exige muito tempo – até porque toda análise requer que se assista ao filme (muito) mais de uma vez – vou fazendo isso aos poucos.

Todo esse preâmbulo prolixo (característico de minha pessoa) se justifica porque No, drama dirigido por Pablo Larraín, é um dos exemplos mais bem acertados do que tentei explicar acima: a importância da forma na construção de um filme. Pretendia fazer uma análise, mas acaba que o que escrevo é mais um comentário crítico, visto que só assisti ao filme uma vez. Para quem não sabe, o filme retrata a elaboração da campanha pelo No, que se desenvolveu durante o mês anterior ao plebiscito que determinaria a permanência por mais oito anos do ditador Augusto Pinochet a frente do governo chileno (Si) ou sua saída e a convocação de eleições livres para 1989 (No).

A história é muito bem contada, principalmente pelo cuidado em destacar as questões centrais que envolveram o plebiscito e a elaboração das campanhas em si. As divergências e inconsistências da unidade democrática encabeçada pelos grupos de oposição à ditadura militar que já durava 15 anos e a abordagem da campanha pelo viés da elaboração de um projeto de venda de um produto (aliás, sensacional, visto que fiquei com o jingle “Chile, la alegria ya viene” por uns 4 dias na cabeça) são exemplares nesse sentido. Da mesma forma, a confiança inabalável do regime chileno que nem se deu ao trabalho de pensar em manipular o plebiscito e sua investida em propaganda econômica e em denegrir a imagem das oposições são bem apresentados.

Aqui, um breve parênteses para destacar dois momentos que eu achei sensacionais e elucidam um pouco do que acabei de dizer. O primeiro, quando Lucho (Alfredo Castro), consultor da campanha pelo Sí e chefe de René (Gael García Bernal), critica a campanha do governo dizendo que não se pode vencer um valor universal – a alegria – com propaganda sobre a exportação de frutas. O segundo, uma frase retirada diretamente da campanha pelo Sí: “Um marxista, ainda que vestido de seda, continua sendo um marxista.” Ri até cair com essa afirmação.

Gostei bastante do filme; achei de fato muito bom. E não há como negar que a opção pelo uso da U-matic 3:4, suporte utilizado em 1988 (ano em que se passa o longa) e a mescla com fitas originais das campanhas contribuem muito para o excelente resultado. Ao fazer essa opção, o diretor confere ao filme cores e textura próprias do fim dos anos 1980 e ambienta o espectador no contexto da época. A soma de ótimas atuações com um roteiro bem elaborado e aspectos formais bem escolhidos resultam numa produção de qualidade e característica do cinema latino-americano, que cada vez mais tem tido atenção mundo afora. Como já disse, desisti de fazer uma análise do filme, então fico por aqui. Mas vale a pena assistir. Eu recomendo!

Assista aqui ao trailer original de No

No (2012)

Direção: Pablo Larraín

Roteiro: Pedro Peirano, baseado no texto teatral El plebiscito, de Antonio Skármeta

Elenco: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Antonia Zegers e Néstor Cantillana.

País: Chile

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3 respostas para –> “No” (2012)

  1. Ana disse:

    Gael Gracinha Bernal hihihi

  2. Pingback: –> X filmes sobre a ditadura chilena | Notícias nem sempre populares

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