–> Ah, a escola!

Eis que então, ontem voltei da faculdade conversando com uma amiga. De repente, não mais que de repente, entre apontamentos sobre as aulas da licenciatura e a preocupação com os estágios obrigatórios, começamos a relembrar nossos traumas de colégio. Minha amiga se surpreendeu com a minha recordação de acontecimentos distantes, o primeiro ocorrido há mais de 15 anos. Acho que sou do tipo que guarda o trauma eternamente, não daquele que o apaga definitivamente.

Minha primeira recordação é da humilhação pública que passei na sala de aula; humilhação essa provocada, vejam só, pela própria professora. Estava na 2ª série (o atual 3º ano) e tinha, então, apenas oito anos. Como toda “boa” escola, o colégio em que estudei exercia um controle rígido sobre os alunos, controle esse personificado na amaldiçoada da pasta de anotações. Aquela em que cada um tem uma folha onde o professor registra todas as suas ações que, mais tarde, serão utilizadas para justificar as atitudes bizarras que ele toma e o que mais for necessário, como sua repetência ou a nota ruim na prova.

Pois bem. Eu, desde sempre, tive grande dificuldade em fazer contas. Isso mesmo, desde a segunda série a Matemática já era um problema. Na escola, tínhamos uma apostila de exercícios E-NOR-ME, e lição de casa todos os dias. Certa vez, eu não consegui fazê-los, ou melhor, não consegui nem começar a pensar sobre o que era para ser feito e, portanto, deixei em branco. Mal sabia eu que no dia seguinte ia morrer de chorar. Na hora do terror, aquela em que a professora passa nas carteiras dando visto na apostila/caderno, me preparei para explicar o porquê de não ter feito a lição. Preparação inútil, visto que ela nem me deu tempo. Foi logo perguntando por que não tinha resolvido os exercícios e quando eu disse que não tinha entendido ela me respondeu dizendo que era impossível alguém não conseguir fazer aquilo, de tão fácil que era. Tudo isso num tom de voz de bruxa de filme da Disney, tipo a Malévola. Jamais esquecerei a sala toda me olhando, ela gritando e eu chorando, obviamente.

E quem disse que para por aí? Essa professora era de fato um monstro e, para ser tudo mais legal, me deu aulas novamente no ano seguinte. Adivinhem? Novo trauma. Esse eu não lembro muito bem o motivo inicial. Só sei que fomos parar, eu e a bruxa em questão, na sala da coordenadora. Imaginem a cena: uma criança de 9 anos tentando se defender de uma mulher de uns quarenta que, obviamente monopolizou a palavra e o discurso. Diante das minhas tentativas de fala/defesa, ela interrompe a criança com a qual ela deveria dialogar, mas, na verdade, oprime de várias formas, para acusá-la (a criança) de ir com 7 pedras na mão toda vez que  ela (a bruxa) tentava resolver problemas. Ah, gente, fala sério, quem tem problemas com crianças de 9 anos sem ser outra criança de 9 anos (ou oito ou dez)? Minha sorte dessa vez foi que a coordenadora era um pouco mais sensata.

Há muitos outros traumas. Durante uns bons anos eu chorei quase todos os dias na escola. Sim, sempre fui meio chorona, mas na realidade, o grande motivo do chororô diário era muito mais a minha fragilidade diante de toda a violência do espaço escolar. Tive pouquíssimos problemas com colegas durante meus 12 anos de colégio, e só depois de um tempo que o deixei é que fui perceber que me doeu muito mais a opressão a que fui submetida durante todo esse tempo. Aliás, opressão essa a que somos submetidos quase todos que frequentamos a escola.

"No dark sarcasm in the classroom"

“No dark sarcasm in the classroom”

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s