–> Sobre reis e generais

Era domingo à tarde e na televisão passava o Faustão. Recesso de fim de ano, festa em família; quando qualquer critério para assistir tevê vai para as cucuias. Pois bem, na tela estava o “Rei” da música cantando o mais novo sucesso da telenovela, cheio de gente acompanhando, rindo e chorando. Na sala, os comentários de sempre: “Ai, o Roberto.”, “Ai, como gosto das músicas!”, “Ai, como é romântico.”. Tem sempre o momento em que minha mãe afirma contundentemente que só gosta das músicas antigas. E daí rola o tal burburinho em que alguém lembra aquela fofoca de que, talvez, Roberto não seja autor de suas músicas e que, quem o era, faleceu. Por isso que ele “nunca mais soube escrever música bonita”. A exceção é a tal do cara, que eu acho um absurdo, mas todo mundo gosta.

Robertão X9

Robertão X9

Todo ano é a mesma coisa e eu já estou calibrada para agüentar essa papagaiada, mas quando minha tia soltou: “Ah, o Roberto tem uma aura, algo especial.”, eu não agüentei. Tudo tem limite né gente?! Aproveitei-me, quase que maleficamente, da vantagem de ser historiadora e soltei logo: “Aura? O cara é mó X9 safado!” Longo silêncio, uma pausa para a indignação e muitas, mas muitas perguntas sobre o que eu estava querendo dizer, qual era a fonte da minha informação, quem tinha dito esse impropério. Expliquei que o Robertinho não é um cara tão legal assim, muito menos um carinha gente boa. Se não é amigo de fé, irmão camarada, ele dá com a língua nos dentes mesmo. Obviamente, fui desafiada a mostrar o documento divulgado na internet e, para que não houvesse dúvidas, mostrei também a foto do sorrisinho pro general. Clima pesado, tensão que se cortava à faca, fim do clima de confraternização de final de ano. Mais uma vez causei o mal-estar.

Pelé e Médici

Pelé e Médici

Do outro “rei” é mais fácil falar mal, não faz a linha do bom moço. Afinal, ao contrário do primeiro, esse não assumiu a filha da empregada, tem atitudes controversas e é meio antipático, apesar de ser o melhor jogador de futebol de todos os tempos (eu prefiro o Maradona). Mesmo assim, sempre rola uma tensão; principalmente se tiver torcedor do Santos no meio… Sabe aquele que diz que se não viu Pelé jogar não sabe o que é futebol? Pois é. Sempre tem um saudosista desesperado…

O fato é que todo mundo olha desconfiado quando a gente diz que os tais “reis”, da música ou da bola, viviam aos sorrisos com os milicos e que, mais do que isso, não se furtavam em delatar os coleguinhas. Sempre cabe certa resignação, uma desconfiança, uma dor na consciência. Poxa, o cara que é ídolo era um baita dum X9. É minha gente, lide com os fatos: todo “rei” brasileiro adora um general!

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4 respostas para –> Sobre reis e generais

  1. Gente da área de sociais deveria ser mantida sedada em festas e solenidades familiares, para o bem de ambos os lados.
    Parabéns pelo blog e pelo post, toda família (merece) precisa de um espírito-de-porco pra dar uns “chacoalhões” de vez em quando…

  2. Tiago Bosquê disse:

    Quem viu Pelé jogar sabe que Garrincha era bem melhor. Inclusive melhor que Maradona tb.

    Sobre o amor por generais, bem… já estraguei muita solenidade em família pelos mesmos motivos. Não minha família próxima (ufa!), mas sempre tem um primo, um tio-avô… aparece de vez em quando, só pra me fazer passar raiva.

  3. Wander disse:

    Minha família, apesar de simples, tem, ao menos, cultura e não dá trela para estes bandidos.a quem todos veneram como “reis”.

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