–> Classe médi(c)a sofre

Eu realmente ainda me impressiono com a cara de pau de nossa classe média. Sei que ela tem um potencial de auto-vitimização fora do comum, mas os limites são muito maiores do que eu pude imaginar. Até o posto de classe social mais explorada no país por ser sugada pelo governo para sustentar vagabundo eu não me surpreendi muito; mas escravo do governo já é vandalismo né?! Primeiro pela ignorância acerca do que é trabalho escravo, segundo pela falta de noção do quanto significam 10 mil dilmas mensais de remuneração e, por fim, porque é um absurdo num nível que eu nem sei definir.

A revolta da nossa classe médi(c)a é de uma natureza inominável. Tentam esconder seu preconceito, seu racismo e sua xenofobia atrás de uma pretensa preocupação com a situação da saúde pública no Brasil, mas esquecem-se que o SUS é uma afronta à população há décadas e que eles perderam o bonde da História, demoraram demais a acordar para a realidade das populações pobres, que eu tenho certeza que 99% dela jamais cogitou atender.

SE for preconceito, minha gente... Só se for preconceito!

SE for preconceito, minha gente… Só se for preconceito!

Ela finge estar bastante preocupada com a vida dos pobres moradores de regiões do Brasil que sequer se encontram no mapa, mas agem como se as pessoas que morrem de diarreia pudessem e devessem esperar pela construção de grandes centros médicos em lugares onde só se chega de barco. A nova moda agora é demonstrar uma preocupação com os médicos cubanos que vêm ao Brasil, que resolveram chamar também de escravos. O que mais me intriga, no entanto, é que não há a mesma preocupação com os verdadeiros trabalhadores escravos que existem aos montes no país. Em nome dos bolivianos massacrados na oficinas de costura de grandes marcas de roupa, dos montes de cidadãos brasileiros escravizados pelos grandes latifundiários ninguém fala, não é mesmo?! Com estes escravos ninguém se preocupa. Interessante não? Será que é porque, no fundo, estes escravos tudo bem? Ou será porque estes escravos não afetam em nada sua vida, não ferem seu orgulho nem instigam seu recalque? Ou será ainda que é porque “escravo do Partido Comunista cubano” é muito mais in do que “escravo da bancada ruralista de onde provenho”? Vale ler o texto de Leonardo Sakamoto.

Ora, é claro que não defendo que o investimento na saúde comece e pare no programa “Mais Médicos” nem nego que há uma urgência gritante de investimentos em hospitais, postos de saúde e infra-estrutura em geral na área da saúde. Também não sou eu quem vai defender que se explore os médicos cubanos mais do que qualquer trabalhador é explorado pela própria inserção no sistema capitalista (no qual, aliás, eles não vivem). Mas que a discussão seja feita, então, nos termos que lhe cabem, e não naqueles que se adequam mais ou menos apropriadamente a um discurso xenófobo, racista e preconceituoso de uma classe social acostumada a vitimar-se e a achar que o mundo gira em torno da exploração de seu suor e da sugação de seu sangue em processo de azulanização. E que, além de tudo, não tenta nem um pouco se livrar de sua mente colonizada… Reitero um milhão de vezes que se fossem médicos estadunidenses e com “cara de médico” (!!!), os coxinhas de jaleco estariam agradecendo de joelhos a oportunidade inigualável de aprender com grandes profissionais formados no primeiro mundo.

Penso que essa reportagem retrata bem quais são as verdadeiras preocupações de nossa classe médi(c)a.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s