–> 40 anos depois… Allende vive!

A data é 11 de setembro, mas o ano é 1973. O dia também é terça-feira. O local não é uma das cidades mais “desenvolvidas” do mundo, mas uma capital da América do Sul. O que cai não são duas torres, é um homem; e, com ele, chega ao fim uma das experiências mais importantes da América Latina.

Eleito democraticamente em 1970, Salvador Allende era o representante da Unidade Popular (UP), que abrangia uma coalizão de partidos de esquerda chilenos em torno de um projeto que visava implantar o socialismo pela via pacífica. Em pouco mais de três anos, o governo da UP trabalhou no sentido de erradicar a miséria e a desigualdade, através, entre outras coisas, da estatização de empresas e da entrega de fábricas ao controle dos trabalhadores. Desde o dia de sua eleição, os EUA se alertaram e trabalharam pela sua derrubada; sem esconder que pretendiam intervir no país e desrespeitar a vontade do povo chileno.

As classes altas da sociedade chilena também estavam insatisfeitas, pois Allende não governava para elas, governava para o povo. Com apoio destas classes, da grande mídia, de setores das Forças Armadas e dos Estados Unidos, em 11 de setembro de 1973, o Exército, liderado pelo General Augusto Pinochet (que, após a renúncia de Carlos Prates, se tornara Comandante em Chefe do exército chileno) deu o golpe de Estado.

Nos últimos dias de seu governo, Allende continuava a ser aclamado pela sua população. Nem as dificuldades pelas quais o país passou, muito em virtude de articulações reacionárias que visavam prejudicar o pleno desenvolvimento de um governo socialista, abalaram o apoio que ele recebia. A única ressalva era a demanda popular pelo seu armamento, denotando a disposição da população de lutar pela defesa do governo. Ela estava disposta a armar-se contra a reação da direita e dos opressores. Até o fim, Allende foi fiel ao seu compromisso com a via pacífica. Pagou com sua vida a lealdade do povo.

Trecho do último discurso de Salvador Allende

Trecho do último discurso de Salvador Allende

Com o Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, cercado e sob bombardeio da Força Aérea, Salvador Allende fez seu último pronunciamento para o povo.

Allende Vive!

Allende caiu ao som das bombas, mas nada supera o grito popular em seu apoio. Até o fim todos ouviram: “Allende, Allende, el pueblo te defende!” Pinochet governaria durante 17 anos e morreria no ano de 2006, impune e como senador vitalício. Allende suicidou-se; mas não morreu. E hoje, quarenta anos depois, Allende ainda vive. Allende está vivo para toda a esquerda latino-americana. Allende está vivo para todo aquele que crê e busca uma sociedade mais justa e igualitária. Allende é ainda uma das principais referências para a América Latina. Ainda hoje, imbuídos de suas palavras finais, muitos se mobilizam com a certeza de que a história e nossa, e quem a faz são os povos.

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A história é nossa!

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