–> Na esquina olhando, com os pés molhados

“A vida tinha sido isso, trens que partiam, levando e trazendo pessoas, enquanto a gente ficava na esquina com os pés molhados, ouvindo um piano mecânico e gargalhadas, tamborilando com os dedos nas vitrinas amarelecidas do bar, onde nem sempre se tinha dinheiro para entrar.” 
Julio Cortázar, em O jogo da amarelinha.

Dos encontros tantos de nossas vidas fazemos a colcha de retalhos com a qual nos cercamos dia após dia. Os desencontros que se interpõem quase sempre deixam as marcas com as quais costuramos lembrança por lembrança, momento por momento, estilhaço por estilhaço. Os reencontros, por vezes também frequentes, trazem retalhos sobrepostos que, de camada em camada, tornam mais densa nossa colcha da memória.

Cada um que parte nos deixa um pouco de si e leva um pouco de nós; fazemos a colcha nossa e as dos outros. Quando muito doi o adeus, o frio nos toma conta, os pés ficam como molhados, olhar e pensamento distantes. A saudade nos gela por dentro e então recuperamos nossa colcha que nos aconchega como o abraço de quem se foi.

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