–> Sete dias em outro lugar (Sept jours ailleurs), 1969

Da beleza do corpo e suas formas, sua movimentação, seu existir no espaço. Do quanto nos pode dizer o silêncio e o gesto; das mudanças que o tempo traz; das coisas que a vida desfaz. Da solidão rodeada, da multidão calada, da fala do corpo e do amor. Do retorno e do olhar, do prazer de voltar, da satisfação de ter alguém.*

7dias

Diretor: Marin Karmitz

Fotografia: Alain Derobe

Montagem: Roger Van Leyden

País: França

*Reflexão escrita após uma das sessões do filme na 38ª Mostra Internacional de São Paulo.

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–> A mala do amor e da vergonha (Suitcase of love and shame), 2013

O que leva um casal de amantes a registrar suas aflições, confissões e relações num gravador? Quem primeiro teve a ideia de trocar a palavra escrita pela falada, a letra pelo som, a caneta pela voz?

Quem perdeu essas cartas sonoras? Quem as encontrou? Quem resolveu vendê-las? Quem resolveu comprá-las? E quem teve a ideia de dazer um filme sobre e com isso? Por quê?

Não vemos ninguém, mas, ouvindo, podemos sentir tudo (ou quase tudo). Está no limiar entre um filme e um video-arte. É um video-poesia, e video e poesia. É um filme sobre amor e dor, união e separação, encontro e desencontro, sexo e saudade, perto e longe, alegria e tristeza, companhia e solidão, amor e vergonha… Uma mala cheia delas.*

A mala do amor e da vergonha

A mala do amor e da vergonha

Direção: Jane Gillooly

Fotografia: Beth Cloutier

Montagem: Jane Gillooly, Pam Larson

País: EUA

Trailer.

*Reflexão escrita após uma das sessões do filme na 38ª Mostra Internacional de São Paulo.

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–> Para uma vida, não há manual que baste

“E não é mau que as coisas nos encontrem outra vez todo dia e sejam as mesmas. Que ao nosso lado esteja a mesma mulher, o mesmo relógio e que o romance aberto em cima da mesa comece a andar outra vez na bicicleta de nossos óculos, por que haveria de ser mau?”

Julio Cortázar, em Manual de instruções. 

Ontem fui assistir à peça (Instruções para compor uma peça) Se for viver, leia antes, em cartaz no Centro Cultural São Paulo, com encenação do Coletivo Cronópio. Inspirada na primeira parte do livro Histórias de cronópios e de famas, do escritor argentino Julio Cortázar, intitulada Manual de instruções, nela três jovens atores se propõem a nos apresentar um manual de instruções para “a maior invenção já feita: os seres humanos”. Assim, nos ensinam (e encenam) a fazer aquilo que de mais básico há, as ações que constituem nossa rotina diária: tomar café com leite, ler o jornal, despedir-se, chorar.

Ao nos mostrarem como devemos interagir com nós mesmos, com o mundo – “o tijolo de cristal” –  e com a morte, parece simples evitar os tropeços da vida: basta agir de acordo com o manual. Se o choro não penetrar no escândalo nem durar mais do que três minutos, então tudo estará bem; o mundo será um lugar melhor para nós e nós seremos pessoas melhores para o mundo. Se alguém nos tivesse dito como reagir diante dos diferentes tipos de portas que se interpõem entre nós e outro espaço – dentro ou fora -, então muito tempo seria economizado: diante da porta magnética, sinalize; diante da porta giratória do banco tire a roupa remova tudo quanto possa se parecer com metal e espere a chegada do segurança; diante da porta transparente, empurra, puxa e vai. Tudo parece simples.

A verdade, porém, é que o cenário quase minimalista, com direito a geladeira-microondas-pedra, e as atuações quase espontâneas, com direito a tombo que nunca saberei se foi acidente ou encenação das boas, servem a um único verdadeiro propósito: nos mostrar que para uma vida, não há manual que baste; que não é só com a morte que não sabemos lidar, que também com a vida é preciso aprender no dia a dia. Neste parágrafo resumi o grande mérito da peça: atuar com leveza e captar a essência de sua referência principal. Pois é isso que Cortázar nos mostra em Manual de instruções: que cada vida é uma só e que para viver não há ensaio nem script nem roteiro nem manual.

Talvez, por fim, o que fique da peça seja o ensinamento da melhor maneira de lidar com aquilo que parecemos não conseguir: a morte. Talvez, a melhor maneira de lidar com ela seja esperar enquanto dividimos uma macarronada e um vinho com as pessoas a quem amamos.

Chorando sentada na pedra de frente pro mar do Tibet

Chorando sentada na pedra de frente pro mar do Tibet

Direção: Alice Nogueira
Assistência de direção: Débora Peccin
Elenco: Ana Junqueira, Leonardo Birche e Raquel Médici

27 de maio a 1º de julho – quartas-feiras, às 20h – Classificação: livre
Ingressos R$ 15,00 a R$3,00 (na bilheteria do CCSP ou no Ingresso Rápido)
Centro Cultural São Paulo, sala Adoniran Barbosa
Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo – SP
Telefone: (11) 3397-4002

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